Domingo, 19 de Setembro de 2010
Karl Lagerfeld, o fotógrafo

Quando o director de fotografia da Chanel lhe disse, saturado de o aturar, que fizesse ele as fotografias, Karl Lagerfeld não pensou duas vezes.

 

Em 1987 Lagerfeld era já o grande senhor da moda nos lendários Armazéns Chanel. Aquando de uma sessão fotográfica de moda, meteu-se com director de fotografia que, enervado, lhe atirou: “Olhe, já que está tão insuportável de aturar, faça o senhor o serviço!” Lagerfeld não precisou que lho dissessem uma segunda vez. O czar da moda, nome por que Lagerfeld é conhecido, dirige hoje em Paris um atelier de fotografia com seis empregados e nunca sai à rua sem levar consigo uma máquina fotográfica. Lagerfeld fotografou recentemente Claudia Schiffer em estádio avançado de gravidez para a capa da Vogue alemã.

 

A Maison Europeene de la Photo em Paris dedica  a Karl Lagerfeld uma grande exposição fotográfica de 8 de Setembro a 31 de Outubro. A exposição “Parcours de travail” está aberta todos os dias, excepto segundas, terças e feriados, das 11 às 20 horas. Bilhete de entrada: 6,50 euros.

 




Mário T às 17:43
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Sábado, 7 de Agosto de 2010
Dois gigantes da fotografia: A diferença

 

 

 

Peter Lindbergh versus Helmut Newton.

 

A diferença entre ambos, segundo Lindbergh:

 

„Com Helmut Newton, as modelos sabiam bem o que se queria delas. Chegavam ao set, diziam bom-dia e na porta já estavam a despir a blusa. Comigo, as modelos sabem que vieram devido à sua personalidade.”


(Peter Lindberg em entrevista à Spiegel.)



Mário T às 10:47
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Sexta-feira, 6 de Agosto de 2010
Peter Lindbergh: A arte da fotografia

 

 

 

“A fotografia tornou-se numa vaca que mói e remói tudo sete vezes.”

 

“A arte da fotografia consiste em criar algo de novo, em reproduzir uma coisa de tal maneira que ainda ninguém o tenha feito. Muitos fotógrafos não partem das suas próprias ideias mas de imagens já existentes. A fotografia tornou-se numa vaca que mói e remói tudo sete vezes.”

 

(Peter Lindbergh em entrevista à “Spiegel”.)



Mário T às 15:16
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Sábado, 24 de Outubro de 2009
Annie Leibovitz fotografa a família Obama

 

De Annie Leibovitz já falei várias vezes neste blogue. Faço-o mais uma vez. Annie Leibovitz é a fotógrafa oficial de Barack Obama e da sua família.
 
A conhecida fotógrafa de celebridades fez a fotografia oficial da família Obama no dia 1 de Setembro no Green Room da Casa Branca. A fotografia foi apresentada ontem à imprensa mundial.
 
Annie Leibovitz e Barack Obama já se conhecem desde 2004, altura em que o actual Presidente dos Estados Unidos se candidatou ao lugar de senador. Em 2007, quando foi tornada pública a sua candidatura à presidência, Leibovitz fotografou Obama para a edição africana da Vogue. E em 2008 tornou a fotografá-lo para a Vogue Men e logo a seguir no Capitólio aquandoda sua tomada de posse.


Mário T às 10:33
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Segunda-feira, 19 de Outubro de 2009
Somos capazes de fazer coisas bonitas!

O sapo da sorte de João Petronilho
 
2 dias para a captar, 200 cliques fotográficos, uma belíssima fotografia e um merecido prémio.
 
Paciência, perseverança e fé no que se está a fazer, são os ingredientes do sucesso.
 
Parabéns para João Petronilho!

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Mário T às 16:48
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Sexta-feira, 9 de Outubro de 2009
Irving Penn 1917-2009

 

Picasso fotografado por Irving Penn
 
O grande mestre da fotografia pertencia ao top-ten dos melhores fotógrafos do mundo. Só para a “Vogue” fotografou mais de 150 covers. Na frente da sua máquina fotográfica posaram ídolos do mundo do cinema como Ingmar Bergman, Marlene Dietrich e Alfred Hitchcock ou do mundo da música como Igor Strawinsky e Miles Davis. Irving Penn morreu em Manhattan com a bonita idade de 92 anos.
 
A carreira de Irving Penn como fotógrafo da moda começou no dia 1 de Outubro de 1943,Irving Penn nos anos 60 com uma fotografia para a revista “Vogue”. O seu estilo provocante deu logo nas vistas e depressa se tornou uma estrela no mundo da fotografia de moda. Para além de moda e de retratos de gente famosa, Penn deixou também a sua marca inconfundível em fotografias de cenas de rua e não só na terra onde nasceu. Equipado com uma tenda que funcionava como atelier e uma máquina de chapas, Irving Penn percorreu o mundo. Fotografou indígenas na Papua-Nova Guiné, nómadas nos desertos marroquinos, índios nos planaltos do Perú.
 
Nos anos setenta dedicou-se à natureza morta. Tudo que lhe passasse pela frente da máquina fotográfica era registado: Fruta podre, pontas de cigarro, roupa velha, enfim, o lixo das ruas.
 
Irving Penn nasceu em 1917 em Plainfield (Nova Jersey) no seio de uma família judia. O pai era relojoeiro. Inicialmente queria ser pintor mas não demorou muito tempo a trocar o pincel pela objectiva, convencido que a pintar não iria sair grande coisa.
 
Os retratos, os nus e as naturezas mortas de Irving Penn estão expostos nos mais importantes museus do mundo. Bem cedo, em 1958, foi considerado um dos dez fotógrafos mais importantes do mundo.


Mário T às 09:51
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Domingo, 27 de Setembro de 2009
O SUMO de Helmut Newton

 

SUMO é o nome de um livro lendário de fotografias do fotógrafo Helmut Newton, onde este apresenta o seu trabalho fotográfico multifacetado. O livro foi publicado em 1999 numa edição limitada, 10.000 exemplares,  numerada e assinada pelo autor. Devido às suas dimensões – 50x70 cm – e peso – 35, 4 kg – foi criada também, para facilitar o seu manuseamento, uma mesa articulada própria. SUMO é um livro de 464 páginas, tendo sido lançado a partir de uma ideia do editor Benedikt Taschen.  Na altura do seu lançamento o preço do livro era de 3.000 marcos alemães (aprox. 1.530 euros), mas devido ao valor que lhe foi atribuido por coleccionadores, o seu preço quase chegou aos 10.000 marcos (aprox. 5.110 euros) por exemplar.
 
O SUMO de Helmut Newton é considerado o maior e o livro mais caro do século XX, a partir do momento em que o exemplar com o número 1 atingiu os 620.000 marcos (317.000 euros) num leilão. A casa  editora Taschen tem preparada para este Outono uma edição mais pequena, a 100 euros por exemplar, com uma selecção dos trabalhos mais significativos de Newton.
 
Helmut Newton é um dos fotógrafos mais influentes do século XX. Os seus motivos eram inspirados em situações do dia a dia, fotografava de preferência na rua, evitando os ambientes estéreis de estúdio. Foi nos anos 70, graças ao estilo inconfundível dos seus trabalhos para a revista de moda Vogue, que Helmut Newton adquiriu uma grande fama.
 
Em Junho de 2004 foi inaugurada em Berlim a fundação criada por ele e pela mulher nas instalações de um velho casino militar. Aqui se passaram a realizar exposições do famoso fotógrafo. É aqui que estão expostos os célebres “big nudes” de dimensões extraordinárias. As exposições foram até ao momento visitadas por mais de 425.000 pessoas.
 
Os preços em leilões de fotografias originais de Helmut Newton não param de aumentar. Em Maio de 2007 foi leiloado no Christie’s em Londres o “big nude iii” por 378.816 dólares. Foi a quantia mais elevada paga por um exemplar do mestre da fotografia erótica.
 
Até 31 de Janeiro de 2010 o Museu Berlinense de Fotografia expõe 394 fotografias do SUMO de Helmut Newton. Da amostra fazem parte nus, fotografias de moda e retratos, géneros em que Newton era um especialista. Junto das fotografias do SUMO, são também apresentados trabalhos dos três assistentes de Newton – Mark Arbeit, George Holz e Just Loomis – sob o título “Three Boys from Pasadena”.


Mário T às 14:29
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Segunda-feira, 24 de Agosto de 2009
Annie Leibovitz em dificuldades financeiras

 
Annie Leibovitz é um dos nomes mais célebres da fotografia mundial. A fotógrafa trabalha para as revistas mais prestigiados do mundo. Foi ela quem fotografou John Lennon na posição de embrião abraçado à sua mulher, Yoko Ono, minutos antes de ser assassinado; fotografou Demi Moore numa fase avançada da sua gravidez e a actriz Whoopi Goldberg numa banheira cheia de leite.
 
Anni Leibovitz trabalha desde 1993 para a revista Vanity Fair da qual recebe, ao que consta, três milhões de dólares por ano. Além disso, faz rios de dinheiro com fotografia publicitária. E mesmo assim, a célebre fotógrafa tem dívidas no valor de 24 milhões de dólares, sem contar os juros e as taxas. Annie Leibovitz estava às portas da falência.
 
No último momento a fotógrafa recebeu ajuda. O banco americano Goldman Sachs decidiu tirar a grande dame da fotografia de apuros. Uma parte da dívida que Annie Leibovitz tinha à Art Capital, um instituto de crédito para artistas, foi assumida pelo banco. O caso já estava em tribunal porque a fotógrafa tinha deixado de pagar as últimas prestações. Se dentro de três semanas não pusesse as suas contas em ordem, correria o risco de perder a sua casa no bairro dos artistas em Greenwich Village, uma casa de campo nos subúrbios da cidade e todos os direitos sobre o seu valioso arquivo fotográfico.


Mário T às 22:43
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Quinta-feira, 4 de Junho de 2009
Mais um nu de Carla Bruni

Um nu fotográfico de Carla Bruni, mulher do Presidente da França, foi vendido hoje, 04.06.2009, em Berlim por 13.090 euros. A fotografia a preto-e-preto e com o nome “Carla Bruni na cama”, feita em 1994  pela fotógrafa Pamela Hanson, foi vendida a um coleccionador privado de origem sul-americana.
 
A fotografia mostra Carla Bruni no tempo em que ela trabalhava como modelo. Da fotografia foram feitas na altura apenas10 cópias numeradas e autenticadas, o que deve ter contribuido para o seu valor. No ano passado a casa de leilões Christies em Paris vendeu um nu de Bruni em Nova Iorque por 63.000 euros.


Mário T às 21:41
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Sábado, 14 de Março de 2009
Annie Leibovitz: “Vou fotografar até cair para o lado”

Annie Leibovitz sobre:
Berlim:”Desta vez estava tudo muito bonito, a neve cobria a cidade como uma fina camada de açúcar. (…) Aqui em Berlim também se vê o céu. Em Nova Iorque só se vê edifícios.”
 
Museu Guggenheim:”O Museu Guggenheim é muito sexy, uma obra-prima.”
 
Scarlett Johansson:” [As fotografias] de actores de cinema têm muito a ver com projecções. Eles próprios projectam qualquer coisa na imagem. Scarlett é nesse aspecto extraordinária. Tirar-lhe uma fotografia não é difícil. Diz-se-lhe que se sente, clique, já está! Ela tem o que é necessário. Só tem que se preparar a location.”
 
Helmut Newton: “Helmut Newton era um génio.Os retratos que fez ainda são subestimados. Tinha uma maneira de ver muito particular que dominava tudo o que ele fazia. Helmut era um grande director de encenação, sabia exactamente o que queria.”
 
Outros fotógrafos famosos:”Eu gosto das fotografias de Sally Mann e Nan Goldin, gosto dos retratos de Georgia O’Keefe tirados por Alfred Stieglitz, gosto das fotografias que Edward Weston fez das suas amantes.”
 
Susan Sontag:”Sem a Susan eu não teria ido para Saravejo. Eu queria ser uma pessoa melhor com ela. Eu queria que ela tivesse orgulho em mim. Ela depositou as maiores esperanças em mim. Susan tinha convicções muito firmes. O que ela dizia soava sempre importante.”
 
Annie Leibovitz fala de si:”Eu adoro edifícios, paisagens, arquitectura. Se eu pudesse optar por outra profissão gostaria de ser arquitecta. [...] Como mulher não se deve ter receio de olhar para outra mulher. O que se vê e se mostra é parte de si mesmo. [...] Eu sou tão tímida, tão envergonhada e só anseio que o meu modelo deixe entrever qualquer coisa que eu possa fotografar. Eu não sou uma boa directora de encenação. Quando tenho uma sessão de fotografia não tenho nenhuma ideia do que quero, nem do vou captar.”
 
“Vou fotografar até cair para o lado”.  
 
O Fotografieforum em Berlim apresenta até 24 de Maio a exposição “Annie Leibovitz – A Photograper’s Life”.
 
Aqui.


Mário T às 18:14
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.Do autor do blog
.As Ideias nas Palavras
))) "O teatro e o essencial em nós"

))) "De entre as formas artísticas, o teatro é daquelas que pode entrar mais facilmente em diálogo e discussão com a realidade circunstante. Sempre foi assim. No entanto, atualmente, tanto o teatro quanto a literatura perderam um pouco essa dimensão de refletir sobre a vida, em favor do entretenimento 'puro e duro'. Além disso, preocupamo-nos mais se aquele ator ou escritor tem um estilo diferente do que se o seu trabalho nos faz pensar. E esta peça fá-lo. Numa sociedade onde tudo é mediatizado e em que nos preocupamos demasiado com o acessório, faz todo o sentido refletir sobre a questão da identidade e procurar compreender o que é essencial em nós."
(Virgílio Castelo, actor e encenador português)
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.NOTAS Á MARGEM
))) "Personagem suficientemente grande"

))) "Uma vez que tomei a decisão de fazer o filme, deixei de ser apenas o filho e passei então a colocar chapéu de realizador. Fiz isto de forma a contar a história da melhor maneira, sem a transformar numa sucessão de cabeças falantes a prestarem depoimentos sobre determinada pessoa que no caso é o Alain Oulman. Percebi que a personagem era suficientemente grande e demasiado desconhecida para a diluir em notas de carácter pessoal".
(Nicholas Oulman, realizador português )


))) "Horizonte fechado num espaço aberto"

))) “A peça consiste num discurso fragmentado de quatro personagens, Márcia, Nuno, Álvaro e Luís, que vivem num universo com passado, mas sem futuro. Foi essa série de monólogos interiores que me interessou. Além disso, é extremamente curioso o facto de uma história que decorre num espaço aberto, o cais, e com um horizonte ilimitado, a margem do rio Tejo, dar origem a um universo tão fechado e aprisionador de vivências e memórias.”
(José Martins, encenador português )


))) "Cidade Criativa"

))) “Uma Cidade Criativa implica uma população residente com um alto nível educacional, boas universidades, uma comunidade diversa, intensa dinâmica cultural, qualidade de vida, vida boémia e as mais avançadas infraestruturas tecnológicas. E, claro está, tudo em escala significativa.”
(Leonel Moura, artista conceptual português )


))) "Potencialidades & Infinitudes"

))) “Há década e meia, meados dos anos 90, aconteceram coisas muito importantes e diversas na civilização ocidental e no mundo, explicou. As dificuldades começaram com a multiplicação das indústrias culturais e depois com os elementos das novas tecnologias (o comércio e a difusão dos produtos culturais, a questão da pirataria, a questão da criatividade, etc). ‘Tudo isto traz alterações brutais no quadro do modo como a cultura pode ser vista, todas as implicações da revolução tecnológica e das redes mediáticas transnacionais’. Os aspectos positivos estão relacionados com as potencialidades das indústrias criativas e culturais e do que elas podem representar para o PIB (produto interno bruto). ’Temos que encarar o termo de múltiplas ilusões: a ilusão e uma infinitude de conhecimento, de uma infinitude de progresso, de uma infinitude de consumo e de uma infinitude da dívida’, disse.”
(Manuel Maria Carrilho, Professor Catedrático, Embaixador de Portugal junto da Unesco, em Paris)


))) "O balanço da década"

))) “Multiplicaram-se os festivais de rock, as feiras medievais, as exposições de encher o olho e os concursos gastronómicos, e desapareceram os projectos de desenvolvimento sustentado nas mais variadas áreas da criação. Esta foi uma década de estilhaços, promessas inconsequentes, celebrações e citações desgarradas. Finou-se a política para o cinema e o audiovisual, finou-se a política do livro e da literatura, finou-se a política teatral e museológica. Todas estas políticas morreram à fome.”
(Inês Pedrosa, escritora e jornalista)


))) "POTENCIAL DE CULTURA"

))) “Uma famosa pianista austríaca deu um concerto numa igreja de um lugarejo de Caminha e contou, em várias entrevistas, que, no meio da assistência multifacetada, estava uma senhora que chegou, amarrou uma cabra à entrada da igreja e ficou a assistir. Era um concerto com 24 prelúdios de Chopin, uma sonata de Litz e outra minha. Portanto, nada fácil. E essa senhora amarrou a cabra lá fora e ficou a ouvir. Isto é maravilhoso! Mostra que há um potencial de espontaneidade interessante.”
(António Vitorino de Almeida, compositor, maestro, pianista e escritor português.)


))) "CULTURA E ESCLARECIMENTO"

))) “É impossível falar em educação e melhoria das condições sociais de vida sem ter em conta a questão cultural. (...) É importante que haja um esforço colectivo para que o contexto cultural a nível nacional seja mais desenvolvido. Uma das nossas preocupações é tornar os públicos que nos visitam ainda mais esclarecidos.”
(João Fernandes, director do Museu de Arte Contemporânea de Serralves, Porto.)


))) "HOMEM, TORNA-TE NO QUE ÉS"

))) “Há aquele preceito paradoxal de Píndaro: "Homem, torna-te no que és". Então, o Homem já é e tem de tornar-se no que é? Realmente, quando se compara o Homem e os outros animais, constata-se que os outros já vêm ao mundo feitos enquanto o Homem nasce prematuro, por fazer e tendo de fazer-se: devido ao que os biólogos chamam a neotenia, já nasce Homem, mas tem de fazer-se plenamente humano. E aí está a razão da educação enquanto o trabalho mais humano e humanizador.”
(Anselmo Borges, teólogo e professor)


))) ENSINAR A RACIOCINAR

))) “O meu homem, que tem a mania de ler o que eu vou escrevendo, está para aqui a dizer que a educação não se mede em Magalhães, e que se os professores continuarem todos a ser obrigatoriamente transformados em burocratas, a preencher papelada e relatórios em vez de utilizarem esse tempo a ensinar os miúdos - não há Magalhães que valha a este país. E que se os miúdos não forem ensinados a raciocinar, a fazer uma pesquisa, a usar um texto como deve ser, a não se limitarem a copiar o que vêem no écran - o Magalhães não serve para nada. Mas isto é evidentemente má vontade dele, que está feito com os comunistas do sindicato… Não lhe dou ouvidos: se em tempos idos um Magalhães deu a volta ao Mundo, este vai dar a volta à cabeça de toda a gente. Que é exactamente o que se pretende.”
(Alice Vieira, escritora e jornalista)


))) Cultura cai sempre bem:
° “A cultura é como o vestido preto das mulheres: uma coisa que cai sempre bem. Nos funerais comove, nos banquetes é marca de distinção. Dá lustro à vaidade de quem a usa, e um je-ne-sais-quoi de densidade que verga, ainda que platonicamente, os mais brutos.”
(Inês Pedrosa, escritora e jornalista)


))) A eterna dissociação:
° “Não avançámos muito em muitas coisas no domínio cultural desde o ‘Manifesto Anti-Dantas’, ou se calhar desde o século XIX. Há uma grande dissociação entre as aparências académicas e o público criativo e os artistas. O desentendimento entre a geração de 1870 e a Academia ou entre os futuristas e modernistas e a Academia nos anos 1920 é muito expresso. Hoje existe ainda essa dissociação. A Academia de Ciências de Lisboa está muito divorciada e afastada da intensa e extraordinária vida criativa que existe em Portugal.”
(José António Pinto Ribeiro, ministro da Cultura)


))) Provincianismo português:
° “Na realidade, tenho divulgado mais a minha obra lá fora do que aqui em Portugal. Como não há grande tradição cultural nem artística no nosso país, logo também não há tradição de pintura. Sempre desejei que a minha obra fosse conhecida no estrangeiro. Aliás, é facilmente perceptível que os meus trabalhos não têm nada a ver com os fenómenos folclóricos portugueses. Têm uma linguagem que tanto é perceptível em Portugal como em outro país qualquer. Não vive o aperto de um provincianismo português. Em Portugal, há uma barreira difícil de transpor que é a do provincianismo, ou então a barreira daqueles que, à partida, pretendem anular os que se vão evidenciando. É um jogo de intrigas e ciúmes que obrigam o artista a sair e expor lá fora. Em Itália ou na França, desde pequenos as pessoas se habituam a ver obras dos grandes mestres, sendo normal para elas esse contacto com a cultura desde muito cedo. Esteticamente, isso irá ter consequências, mais tarde.”
(José de Guimarães, artista plástico português)


))) Criatividade e inovação :
° “E, sobretudo, (o Ministério da Cultura) não teve grande papel na formação da consciência de que a criatividade e a inovação são hoje os principais motores de desenvolvimento de praticamente todas as áreas da actividade, sejam elas artísticas, de investigação ou produtivas. Falta, por exemplo, entre tanta outra coisa, fazer uma verdadeira revolução no ensino artístico que continua assente em modelos ultrapassados, alguns deles com raiz no século XIX.””
(Leonel Moura, artista conceptual português)


)))Cultura na política:
° “Entendo que a cultura deveria ser um dos interesses da política, e a política uma disciplina da cultura. É muito mais fácil dirigirmo-nos a um político culto, e entendê-lo, do que a essa espécie que pulula no poder, e cuja ignorância é devastadora.”
(Baptista-Bastos, escritor e jornalista)


))) Criatividade:
. "E o que é mais paradoxal é que nunca se falou tanto em criatividade, em inovação como agora, quando se estão a impor os meios de um controlo para que a inovação, criatividade, desapareçam.”
(José Gil, filósofo)


))) Cultura:

. "A cultura pode e deve ser um factor de combate à crise, de combate a todas as crises, pondo a criação e a inovação em lugar prioritário, na linha da Agenda de Lisboa da União Europeia.” (Guilherme d’Oliveira Martins, Presidente do Centro Nacional de Cultura)

))) José Gil:
“Por isso o espaço público torna-se a condição imprescindível para que o “dentro” respire. Qualquer coisa deve sempre vir de fora, de um fora ilimitado e intensivo, para que o dentro se possa exprimir. Insisto: trata-se de um espaço de diálogo e de comunicação, é um plano de expressão, de contaminação e de circulação de forças. Existe, não tendo ele próprio expressão, mas dando expressão a todas as vozes que nele se projectam. A maior gratificação que pode receber um artista é saber que a sua obra entrou no espaço anónimo em que transformando-se multiplamente, vai fazer nascer outras vozes, outras escritas, outros pensamentos. Ter a felicidade de saber que a sua obra deixou de ser sua, precisamente pelo seu imenso poder de devir-outra.” (José Gil em “Portugal, Hoje: O Medo de Existir”)
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