Dear Reader, aliás Cherilyn McNeill, explica a coisa assim:
E a música dela soa assim:
Uma experiência maravilhosa, não é verdade?
A “Spiegel” alemã derrete-se em elogios à nova estrela do soul. E o mais interessante é que ela os merece todos. “A primeira superstar de uma novo sistema na indústria musical”, “não se vislumbra o fim da ‘Adele-Mania’”, “vendo bem, Adele é o contrário da Lady Gaga”, “descaradamente normal”, e por aí fora...
Neste blogue já apresentei Adele aqui. O texto da “Spiegel”, com fotografias, também está aqui. E aqui vai mais uma canção, com texto a acompanhar e tudo:
Adele, I'll be waiting:
O americano Marc Spitz escreveu uma biografia de Dawid Bowie. Uma coisa para cima de 500 páginas. Diz o biógrafo de si: “Sou um coleccionador, colecciono personalidades e ideias.” Terá captado, de facto, a personalidade de um artista como Bowie, do qual não se conhece só uma mas uma série delas? Há quem tenha dúvidas.
Fiquemos pela boa música de David Bowie.
David Bowie - Rebel Rebel
Em Janeiro James Blake foi nomeado pela BBC para o “Sound of 2011”. E que canta o jovem melancólico? "All that I know is, I am falling falling falling." Portanto, se a cair recebe prémios, é sinal de que está no bom caminho.
Os programas de rádio não se cansam de apresentar a canção “Limit To Your Love”, uma versão musical de uma outra jovem cantora, Leslie Feist, de quem já falamos neste blogue.
James Blake cresceu em Enfield, no norte de Londres. Filho único de uma mãe gráfica bafejada por sucessos e de um pai músico, que o filho teima em não dizer quem é. Com seis anos começou a aprender piano, com quinze é pianista. Estudou música no Goldsmith College de Londres e sente-se num beco sem saída. Entre música clássica e jazz não sabe por onde enveredar.
Mas quem tem amigos não morre indeciso. Levaram-no a um clube londrino e lá fez mais uma descoberta, a música electrónica. A experiência tem qualquer coisa de místico, assim do género bíblico de Saulo para Paulo. Se este começou a produzir epístolas, James Blake começou a produzir singles. E que singles!
Há dias assim. Anda-se por aí de punhos enterrados nos bolsos sem saber o que fazer com tanto abandono, tanta solidão, tanto desespero, sei lá, tanta raiva. Nas tavernas não há copos que chegue para afogar tanto desatino.
Para casa. Música. Soul. Soul, está bom. Adele. Ah, Adeeeeeele!!!!
ADELE 'Rolling In The Deep' (Studio Footage)
ADELE - 'Make You Feel My Love'
Para festejar é preciso fazer algum barulho. Nada melhor do que convidar a rapaziada dos “The Who” para a festa. Aqui temos Roger Daltrey e Pete Townshend em plena forma. Bem... pelo menos, em 1978.
The Who - Won't Get Fooled Again - Live 1978
Do novo Album "Horses And High Heels” (2011), acabado de chegar ao mercado.
Song: The Stations
Ontem o seu espírito foi invocado. Cá está ele!
Patti Smith - Horses & Hey Joe
Brian Eno achou-a no Youtube. A sua música tem qualquer coisa de rock apocalíptico adocicado por um pop romântico, talvez para não soar tão trágico. Bem, Anna Calvi – é dela que estamos a falar! – é simplesmente fantástica.
Mas o Eno, quem é Brian Eno? Se disser que ele foi um dos fundadores dos Roxy Music, chega, ou precisa o grande senhor do rock de mais alguma apresentação? Ora bem...
O resto é o costume, numa das suas imensas variações. Eno convidou-a para almoçar, Anna achou-o um amor e deu-lhe para as mãos umas gravações que tinha feito lá em casa, na cave. Eno delirou. Mandou-lhe um e-mail a gabar-lhe o talento musical. Para Anna foi como água no deserto. Assim, foi exactamente o que ela disse, como água no deserto.
Eno recomendou-a, ela acompanhou Nick Cave e o seu grupo por todo o lado. Tinha de ser, a vida de uma artista musical é dura, muito dura. Mas foi assim que a BBC a nomeou para o “Sound of 2011”. Não era preciso mais. Aqui chegada, façam-se as profecias que se quiser, são todas para realizar.
Interessante é que a vida de Anna Calvi não começou nada bem. Viu a luz do mundo numa clínica em Londres e os primeiros três anos passou-os entre a vida e a morte. Passados os perigos, a infância passou-a a arrumar – não é o que gostam de fazer as crianças? - a colecção de discos dos pais. Havia de tudo, desde os Rolling Stones a Maria Callas, passando por Ennio Morricone. Aqui convém destacar que os pais de Anna são de origem italiana. Muitos anos da sua vida passou-os Anna Calvi no sótão e na cave de casa a escrever em segredo as suas músicas. Na rua convivia com outros que traziam os mesmos sonhos que ela. Com alguns desses conhecidos lá se aventurou por pequenos palcos londrinos e foi parar à internet onde Brian Eno a pescou. O seu estilo pode-se ver, ouvir, cheirar. E Brian Eno está entusiasmadíssimo, para ele, Anna Calvi é a nova Patti Smith. *

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