Domingo, 21 de Dezembro de 2008
Deus e os ateus
O que Euclides, matemático que viveu 300 anos antes de Cristo, afirmou, serve para os crentes e para os ateus:
- “O que é afirmado sem provas pode ser refutado sem provas.”
A questão da existência ou não-existência de Deus é, pois, uma bizantinice; uma nuvem de fumo que desaparece quando se apagar a fogueira crepitante alimentada pelos conflitos das relações sociais.
Segunda-feira, 3 de Novembro de 2008
A inspiração divina dos ateus convictos
Hoje de manhã, ao dar um passeio pela blogaria nacional, deparei mais uma vez com esta expressão: “eu... blá, blá, blá...ateu convicto...”. Ateu convicto? O que é um ateu convicto? Meti a expressão no Google para saber mais sobre ela e deparei com enxurradas de declarações de ateus convictos.
Se já tinha as minhas dificuldades com o ateísmo alardeado aos quatro ventos, com a carga do “convicto” a reforçá-lo a coisa complica-se. Do crente convicto sabemos que cumpre com as suas prácticas religiosas, vai à missa regularmente, ora e adora, vê o dedinho do Transcendente nos acontecimentos do mundo. Mais: Vê a Entidade Transcendente na origem de tudo o que é decisivo no Universo. Uma crença absolutamente legitimada pelo estado em que está o mundo e a sociedade. Uma crença alimenta-se do que (ainda) se não sabe da vida - e dele se recusa a saber - e nesse desconhecimento encontra a sua justificação: Mistérios, milagres e outras fantasias feitas de fumo espiritual.
O ateísmo convicto surge-me como seu rival ou adversário, num combate activo e sem tréguas, usando os mesmos métodos e as mesmas técnicas na afirmação de um não-Deus. Um não-Deus que precisa do Deus dos crentes para se alimentar e justificar. Os argumentos a que recorrem para contestar o Deus provêm do fundo religioso, em que todos fomos educados, só que virado do avesso, de sinal inverso.
A Entidade divina é uma amálgama fantástica de fumos e odores espirituais que na consciência dos crentes se tornaram autónomos e que acabaram por se virar contra eles, submetendo-os ao seu elixir. Os ateus convictos, equipados do não-Deus, desenvolvem uma luta palavrosa e quixotesca contra esses fumos e aromas. É uma fumarada medonha.
A questão está em procurar, identificar, desmascarar e inutilizar os produtos, os meios e as prácticas que produzem esses fumos e essas fragâncias espirituais. É uma actividade que requere outros métodos, outras técnicas e outras vontades e que bem dispensa o permanente bater no peito a confessar que somos ateus convictos.
Domingo, 7 de Setembro de 2008
Os grandes andores
Dizer que Portugal é um país de recordes é vir com uma velha platitude. Todos os dias os jornais nos informam dos últimos recordes e nos dias em que só atingimos o segundo lugar cai o Carmo e a Trindade. O que é natural, pois o que importa é dar nas vistas, só isso nos faz andar para a frente e enche de grande regozijo.
No próximo fim de semana, em Mouçós, concelho de Vila Real, vão desfilar na procissão de Nossa Senhora da Pena 14 andores com mais de vinte metros de altura. O “mais grande” é o da Nossa Senhora da Pena, com 22, 2 metros de altura e 10 de largura, e para o transportar, aos ombros, vão ser precisos mais de 100 homens. Os promotores do evento, imbuídos de espírito católico e grande fervor religioso, querem pôr os andores no Guinness Book of Records. É um objectivo glorioso e que muito vai aprazer a Deus, Ele bem o merece.
Os porta-andores, almas musculosas e destemidas, não poupam esforços para dilatar a fé e os recordes. Como já estão anunciados milhares de mirones para assistir à passagem dos andores em Mouçós, não seria de propôr ao Comité Olímpico Internacional uma maratona para os andores de todo o mundo?
Quarta-feira, 16 de Julho de 2008
BXVI
Atenção, BXVI não é um novo modelo da Citroen! O Papa enviou um SMS de saudação ao Dia da Juventude Mundial a decorrer em Sydney, Austrália, e assinou-o com estas iniciais. Aleluia!
Quando Galileu souber desta novidade vai dar uma grande gargalhada.
O Deus do Fumo
A Igreja dos Fumadores na Holanda também tem um Deus: O Deus do Fumo. Este Deus desdobrado em três dá origem à Santíssima Trindade: O Fumo, o Fogo e a Cinza.
Em Alkmaar, no norte de Amesterdão, Cor Bush, proprietário do Café A Tília, criou a sua própria religião, sem esquecer nenhum dos ingredientes necessários para o efeito. Tudo por devoção e amor ao negócio.
Nós, portugueses, sempre tivemos capelinhas, o que nunca conseguimos arranjar foi um Espírito Santo à altura. E a Senhora de Fátima, que assustou os três cachopos em 1917, também já provou que não tem muito jeito para o negócio.
Sábado, 12 de Julho de 2008
Está frio no Céu
O fundo material e humano das religiões. Está a ficar frio para os lados do Céu.
E na Terra, os que o invocam e se pavoneiam de representantes da espuma celeste também estão a ser corroídos pelo bem estar material, mordendo-se mutuamente à cata de honrarias, poderes e outros mistérios.
Benvindos ao mundo dos homens!