Escolhi para frase do dia uma citação de John Kenneth Galbraith (1908-2006), da sua obra „The affluent Society”, publicada em 1958 (edição americana), portanto, há cinquenta anos atrás:
“Hoje em dia têm muito mais prestígio e poder homens na produção ou à frente do processo de produção, fazendo o seu trabalho sem estar a cuidar do seu enriquecimento pessoal.[...]O ricaço pode ser completamente insignificante, e também o é muitas vezes.”
A élite financeira europeia não sente a crise. A ameaça de recessão não lhe tira o apetite nem lhe abala o prazer do consumo. A maior parte dos magnates tem mesmo a intenção de continuar a investir com força e uma parte quer investir ainda muito mais que no ano passado.
Estas informações podem ler-se no Centurion Luxury Living Index para 2008, mandado elaborar pela American Express (AE). Para o efeito a AE mandou fazer uma sondagem entre 280 gestores europeus com ordenados superiores a 800.000 euros por ano e ainda detentores de significativas reservas financeiras.
Bem, mesmo assim, um quarto dos inquiridos mostraram-se um tanto quanto apreensivos com a crise no sector imobiliário e financeiro e 6% falou até de restringir os seus gastos. Não obstante, a sondagem da AE confirma o aumento da média de rendimentos dos seus clientes de topo.
Interessante foi a mutação de valores registada. Os símbolos de poder e riqueza com que normalmente a élite financeira ostenta o seu status social estão a perder peso. Luxo para ela hoje é viver uma aventura com carácter personalizado, é a aquisição de cultura e conhecimentos, é saborear a exclusividade. 91% dos inquiridos sublinham dar muita atenção à qualidade daquilo que compram.
Um cozinheiro privado é um luxo onde estão dispostos a investir 77% dos ricos. Mordomo, empregada para as crianças, chauffeur, tudo isto está ultrapassado. Para a élite são preferíveis assessores de fitness e de nutrição.
À alimentação é dado um grande valor em geral e à sua origem ecológica e ética é prestada uma grande atenção. 40% dos inquiridos estão mesmo a pensar em dedicar-se à criação de animais e à agricultura para consumo próprio.11% já puseram estas ideias em práctica e à sua mesa só é servido o que foi produzido na sua propriedade, sob o seu controle.
Lar e viagens
O lar está acima de tudo. 41% quer um melhor equipamento na casa. Uma biblioteca pessoal, estúdio privado de fitness, sala de cinema e uma cozinha profissional. 10% dos inquiridos estão mesmo a pensar numa sala de baile privada.
Quando se trata de viajar não é tanto o conforto que conta mas a aventura da realização pessoal. O luxo pelo luxo, só para exibir, não satisfaz. Para as suas viagens a élite financeira fala de cursos de meditação na Malásia, numa degustação de vinhos no Loire ou mesmo de pesca à linha no Loch Lomond, na Escócia.
Tendências são portanto a personalização, individualidade, exclusividade.
Há aqui alguma coisa de proveito para Portugal?
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